terça-feira, julho 15, 2008

Alberto Teta Lando














Alberto Teta Lando faleceu ontem em Paris vítima de doença oncológica.
Natural de M'Banza Congo, onde nasceu em 1948 é oriundo de familia numerosa, com 32 filhos.
Escreveu a sua primeira música em 1964 e dois anos depois com a publicação do primeiro LP passou a integrar o grupo restrito dos melhores músicos angolanos.
Exilado em Paris entre 1978 e 1989, por ser confesso seguidor de Holden Roberto, regressa para integrar o Festival Nacional da Cultura (Fenacult), em Luanda.
Ao longo da sua vasta carreira de 44 anos obteve êxitos inesquecíveis como "Negra de carapinha dura", "Eu vou voltar" ou "Um assobio meu".
O seu último trabalho "Memórias" é uma colectânea das músicas escritas ao longo da sua carreira.
Ocupou desde 2006 o cargo de presidente da UNAC (União Nacional dos Artistas e Compositores).
Era casado e pai de três filhos.
Honra á sua memória e á sua obra.


São Salvador / M'Banza Congo

domingo, julho 13, 2008

De regresso...
















Aproximação ao aeroporto de M'Banza Congo

segunda-feira, julho 02, 2007

Mbanza Congo - péssimas notícias













A minha memória de Mbanza Congo, em 1972




Mbanza Congo regressou aos títulos de 1ª. página... infelizmente pelas piores razões.
O acidente com um Boeing 737 vitimou seis pessoas.
Apenas um milagre poderá terá impedido que mais mortes ocorressem.
Ainda bem que há... milagres!
A minha solidariedade para com os familiares das vítimas do acidente.


M'banza Congo é e será sempre um marco fundamental na minha vida.
O acidente trouxe-me á memória características únicas daquela pista, daquela lindíssima cidade e daquele povo portentoso e amigo.

O meu baptismo de voo aconteceu num voo de Luanda para Mbanza Congo, então São Salvador do Congo.























Um «enorme» DC3 da DTA, antecessora da TAAG levantou do Aeroporto Craveiro Lopes, hoje 4 de Fevereiro, escalou Ambriz, Ambrizete, Santo António do Zaire seguindo depois para São Salvador, antes de rumar a maquela do Zombo e regressar finalmente a Luanda.
Uma viagem inesquecível.

Recordo desse tempo as dificuldades que aeronaves de grande porte tinham para ali operar. O avião maior que por ali aterrava era o famoso «Barriga de Ginguba» - o Nord Atlas, militar.
Aviões de escala da DTA não recordo, ali, outro que não fosse o Dakota.

Lembro que a capital da Província do Zaire era, na altura, uma pequena cidade do interior, ameaçada pela guerra que não raramente passava não muito longe dos seus horizontes.

Rodeada de arame farpado por todos os lados, a sua extensão máxima correspondia, grosso modo, ao comprimento da sua pista de aviação - curta e estreita.

A «aerogare» não existia e todo o processo burocrático ligado ás viagens era efectuado numa loja de uma vivenda contígua á pista - a Casa Verde.

A pista do aeroporto tinha, no início da década de 70, características muito especiais. Dividia a cidade em duas, estando de um lado a «cidade branca» e do outro a «cidade negra», a sanzala.

Esta pista era talvez uma das únicas pistas onde de um lado para o outro da cidade circulavam livremente pessoas e veículos. Essa passagem situava-se junto ao CRESSA (Clube Recreativo de São Salvador).

O relato do acidente agora ocorrido recorda-me que um avião com a envergadura do DC3 passava com a ponta das asas sempre muito perto das casas, fossem elas, na altura instalações militares, a Missão Católica, a Catedral de São Salvador... ou as humildes casas de adobes de muitos amigos.
Qualquer incidente nestas circunstâncias pode tornar-se catastrófico.


Não me parecendo, pelos relatos que tenho, que a estrutura urbana á volta da pista se tenha alterado, mesmo que, como se sabe tenha sido melhorada e eliminada a tal passagem, fácil é admitir que uma pequena falha, tenha ela a origem que tiver, ponha em perigo a segurança da aeronave e de toda a zona urbana que ladeia a pista.

Admitir que aeronaves como a que agora sofreu o acidente escalam aquela pista assiduamente, por melhores que hoje sejam as condições, é sem dúvida uma proeza humana dos pilotos da TAAG!

Confesso que, mesmo antes do acidente, se me dissessem para regressar a Mbanza Congo num Boeing 737, o faria de imediato, sem pestanejar. Mas que, até aterrar em segurança, estaria absolutamente espectante quanto á possibilidade do «monstro» conseguir ali pousar, creiam que estaria...

Assisti, ali, a DC3 tentarem a aterragem e terem que abortar o processo, fazendo razante á pista, em aceleração muito próxima do Hospital Provincial, não muito longe do limite da pista, na altura assinalada com metades de bidãos de 200 litros.

A perigosidade daquela pista, fica patente na imagem de um outro acidente ali ocorrido em 1994, provavelmente por motivos idênticos, com um Boeing 727 da TransAfrik.




















Qualquer que seja o avião, quaisquer que sejam os riscos... aí voltarei, estou certo!

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Ó Angola meu berço do Infinito


Espigueiros, Maquela do Zombo (foto de Os nossos kimbos)




Ó Angola meu berço do Infinito
meu rio da aurora
minha fonte do crepúsculo
Aprendi a angolar
pelas terras obedientes de Maquela
(onde nasci)
pelas árvores negras de Samba-Caju
pelos jardins perdidos de Ndalatandu
pelos cajueiros ardentes de Catete
pelos caminhos sinuosos de Sambizanga
pelos eucaliptos das Cacilhas
Angolei contigo nas sendas do incêndio
onde os teus filhos comeram balas
e
regurgitaram sangue torturado
onde os teus filhos transformaram a epiderme
em cinzas
onde das lágrimas de crianças crucificadas
nasceram raças de cantos de vitória
raças de perfumes de alegria
E hoje pelos ruídos das armas
que ainda não se calaram pergunto-me:
Eras tu que subias montanhas de exploração?
que a miséria aterrorizava?
que a ignorância acompanhava?
que inventariavas os mortos
nos campos e aldeias arruinados
hoje reconstituídos nos escombros?
A resposta está no meu olhar
e
nos meus braços cheios de sentidos

(Angola meu fragmento de esperança)
deixai-me beber nas minha mãos
a esperança dos teus passos
nos caminhos de amanhã
e
na sombra d´árvore esplendorosa.)




João Maimona
In “Traço de união”

terça-feira, janeiro 02, 2007

Waldemar Bastos




Bom ano para todos.

Para início de 2007 nada melhor que Waldemar Bastos, ele que em 1954 nasceu justamente em M'banza Kongo.

Começou a cantar e a compor desde muito cedo.
Em 1982, no decurso de uma visita a Portugal, tomou a difícil decisão de não regressar ao seu país, então atravessando uma longa guerra civil. Viveu na Alemanha, França e Brasil, onde gravou o seu primeiro álbum, Estamos Juntos. Em 1985 fixou-se em Lisboa, e em 1990 gravou Angola Minha Namorada. Um novo CD, Pitanga Madura, editado em 1992, foi descoberto numa discoteca lisboeta por David Byrne. Entusiasmado com o que ouviu, contratou Waldemar Bastos para a sua editora, a Luaka Bop. Aí gravou Pretaluz, produzido por Arto Lindsay. O disco firmou o seu autor na cena internacional da world music, abrindo-lhe as portas para se apresentar na América, na Europa e no Extremo Oriente.
Em Abril de 2003 regressou a Angola pela primeira vez em muitos anos, em celebração do fim da guerra civil. Esse regresso, o facto de entretanto ter completado 50 anos (“Meio século obriga-nos a parar e a olhar para trás na nossa vida. Mas também temos sonhos para realizar”), a reflexão que fez sobre a sua música, levaram-no à gravação de um novo disco, Renascence, na editora holandesa World Connection.

sábado, dezembro 02, 2006

Os melhores blogues 2006



Difícil seria não ter dado conta da iniciativa de eleger os melhores blogues promovido por A Geração Rasca.
A nomeação do Mbanza-Kongo como um dos melhores blogues temáticos tirou-o do anonimato onde, por força da sua tenra idade, deveria continuar.
Tornou-se um dever, também, participar nessa escolha.
Ao JC Carranca, de A Minha Sanzala o natural agradecimento pela nomeação que, apesar de ser cedo para a merecer, nos deixa profundamente orgulhosos.

O regulamento encontra-se aqui onde pode ser consultado.

Assim sendo, aqui fica a nossa escolha dos melhores:

- Melhor Blog Individual Feminino

- Melhor Blog Individual Masculino

- Melhor Blog Colectivo

- Melhor Blog Temático

- Melhor Blog

- Melhor Blogger

quinta-feira, novembro 23, 2006

Vamos a isto!














Igreja matriz de Mbanza Congo



Mbanza Kongo, como blog nasceu.

Mbanza Kongo, Mbanza Congo, São Salvador do Congo, a cidade, contou já 500 anos após a sua fundação.
Oficialmente.
A comemoração ocorreu em 25 de Julho de 2006
A sua história, porém, não se resume ao período a partir do qual foi conhecida pelos portugueses.

Mbanza Kongo, a capital do Reino do Congo, encerra em si um património vastíssimo de história, feito de glórias e misérias, de vitórias, de derrotas e de resistência.
Alguns momentos perdurarão, outros estão perdidos para sempre nas brumas do tempo.

A Cristina e eu, pretendemos que este espaço agora aberto seja o mais livre de todos os fóruns, sem tabus, onde os debates, as recordações e os temas tratados não tenham qualquer limite.

Se tivéssemos que criar uma divisa para este blog seria – “Máxima liberdade, máxima responsabilidade”

Este espaço servirá para abordar tudo, mas Mbanza Kongo, a Província do Zaire e Angola, em geral, encontrarão aqui um lugar privilegiado.

Esperamos ver abordados tempos históricos, personagens importantes para Mbanza Kongo e para Angola ou tempos mais recentes, difíceis, polémicos, dolorosos que deverão servir de sólido alicerce para um futuro que se deseja livre, harmonioso e próspero.

Este blog fará questão de publicar, com indicação dos seus autores, todos os contributos que achem por bem enviar.
Os contactos poderão ser estabelecidos para os seguintes endereços:

mbanza-kongo@hotmail.com
luis_almeida58@hotmail.com
penuchatinucha@yahoo.com.br


Agradecemos, desde já, todos os comentários já efectuados tal como ficaremos gratos por todas as sugestões e críticas que acharem por bem fazer.

Sejam todos bem vindos a esta vossa casa.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Para a história



8 de Junho de 1992 - Papa João Paulo II visita Mbanza Congo. Foto daqui.
Este foi o apelo que ali deixou.

sábado, outubro 14, 2006

sábado, outubro 07, 2006

Mbanza Kongo 1972-74

Mbanza Kongo conforme conheci e recordo.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Diogo Cão ás portas do Zaire





Deste lado da história
o rio morre aqui.
Do mar sabemos nós e aos capitães
a fama da conquista.

Faço-me ao Sul
porque pertenço ao Norte
e a costa só me serve p'ra cumprir
tarefas de abandono.

Meu fim é circular, ir mais além.
Por isso eu sei de estrelas
direcções
e nada sei de fruto
que se projecta e espera.


Cumpro tarefas, sim, porque viajo.
Assim nasci
sabendo o que me aguarda após a descoberta.
Fronteiras
só conheço as do meu lar
e sei amá-lo, só,
noutras distancias.

De Deus, empreendi que mora aqui no mar,
porque sou eu
quém lhe constrói a face.

Ao Rei e a Vós
apenas dou noticias do rumo horizontal.

Pois que sabeis da vertical sagueza?




Ruy Duarte de Carvalho

São Salvador






I celebrate the glorious past of the kingdom of Kongo.
A paradise that thrived in the XV century in the heart of Africa....
I cry for my people who were taken across the big river on a journey of no return....
And I pay homage to the brave warriors who fought to liberate my homeland
São Salvador.



Eu vou celebrando
Através do meu canto
A história gloriosa
Do reino do Kongo

Eu vou celebrando
Através do meu canto
A história romantica
Do reino do Kongo

Era um paraíso
Que próspero no século quinze
Situado em uma região formoza
No coração da Africa

Oh Mbanza Kongo
São Salvador querido
Oh Mbanza Kongo
Es meu paraíso

São Salvador
Kongo dia Ntotila
Eh Mbanza Kongo
Mbanza velela

Hoje presto homenagem
Aos guerreiros valentes
Que lutaram para libertar
A minha terra São Salvador

Que lutaram para libertar
A nossa terra Mbanza Kongo

Pátria querida
Através dos anos
Você passou por tantas tragedias
Seus filhos foram capturados
E vendidos como escravos

Hoje choro
Choro por mi'a gentes
Que foi levada
Para o outro lado do grande río
Em uma viagem sem volta

Separada de sua familia e sua terra
Mas a pezar de tudo
Nosso espirito nunca morreu
Santa Beatriz Kimpa Vita
Escutamos sua voz



Ricardo Lemvo

quarta-feira, setembro 27, 2006

Desejos vãos

Eu queria ser o Mar de altivo porte
Que ri e canta, a vastidão imensa!
Eu queria ser a Pedra que não pensa,
A pedra do caminho, rude e forte!

Eu queria ser o Sol, a luz intensa,
o bem do que é humilde e não tem sorte!
Eu queria ser a Árvore tosca e densa
Que ri do mundo vão e até da morte!

Mas o Mar também chora de tristeza…
As árvores também, como quem reza,
Abrem, aos Céus, os braços, como um crente!

E o Sol altivo e forte, ao fim de um dia,
Tem lágrimas de sangue na agonia!
E as Pedras... essas... pisá-as toda a gente!



Florbela Espanca,
Sonetos

Ruínas da Sé Catedral